dez - 21 - 2004

Um conterrâneo meu, cantor, acredita que o Nordeste é uma ficção – nunca existiu. Concordo. O povo que anda/vive pelo sertão é nômade, vagando de um lado para o outro em busca de uma vazante para plantar.

O povo, meu povo, foi abandonado por todas as instituições que ousaram desbravar o sertão. Os governos oligárquicos impuseram sua autoridade nessas terras e reservaram tudo o que havia de mais atrasado para o crescimento econômico do semi-árido. A partir daí, boa parte do lixo tecnológico veio para cá como forma de “desenvolver” a região. Algumas décadas passaram e a prática de enviar o lixo para cá continua. A situação se agrava quando a tecnologia foi desenvolvida para um clima frio e vem parar aqui.

Semana passada como de costume, peguei a linha 038 que atravessa a cidade no sentido norte/sul. Depois que passei pela catraca, notei que havia apenas um assento disponível e foi lá que me sentei. Era do lado da janela. Janela? Que janela? O ônibus não tinha a janela de baixo, só o vidro vedado e imóvel. Calor, muito calor. Pensei logo como esse ônibus deveria ser agradável no inverno de São Paulo ou de Floripa, mas em Fortaleza que tem apenas duas estações (quente com chuva escassa e lascando com mormaço) é um forno só.

Assim que desci do ônibus vi que tinha tostado muito dos meus poucos neurônios. Deve ser por isso que os (des)governantes colocam pra circular ônibus assim: pra gente reclamar do calor e esquecer a exploração que sofremos desde a chegada dos patrícios.

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One Response so far.

  1. Jenny says:

    o lixo tecnologico é mesmo um grande problema!!!!!!!!!!!!!!!para o meio ambiente.


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