Na última quinta-feira, dia 23, os movimentos sociais do Ceará organizaram um ato em defesa do meio ambiente, dos Povos Indígenas e da liberdade de expressão na Praça do Ferreira, em Fortaleza. A atividade foi uma articulação de indivíduos e entidades a fim de tornar pública a tentativa da empresa Ypióca Agroindustrial de calar os movimentos sociais na medida em que interpelou judicialmente o professor do Departamento de Geografia da UFC Jeovah Meireles e o jornalista Daniel Fonsêca por terem denunciado o desrespeito aos direitos humanos do povo indígena Jenipapo-Kanindé e os danos ambientais causados pela empresa à Lagoa da Encantada, em Aquiraz/CE.
Esta denúncia baseia-se em documentos coletados no Ministério Público Federal, no Ibama e na Funai, além de outras instituições, e comprovam de forma técnica e objetiva a responsabilidade da empresa pela poluição e pelas ameaças à comunidade local. Além de tentar calar profissionais comprometidos com a causa social, a empresa vem usando o artifício de negar a existência da etnia Jenipapo-Kanindé e afirmar que “não existem índios em todo o litoral cearense”, na tentativa de mascarar os prejuízos socioambientais causados por ela.
Mais uma vez no estado do Ceará uma empresa adentra no hall de grupos empresariais que, para ampliar seus lucros, não medem esforços e negam a existência de áreas de preservação permanente, de comunidades tradicionais de pescadores/as e etnias indígenas nas áreas em que pretendem instalar seus equipamentos industriais e turísticos. Os movimentos sociais cearenses também estão na luta contra outros elefantes brancos que podem vir a ser instalados no estado, como os projetos turísticos Nova Atlântida, do grupo de mesmo nome, e praia do Pirata, do grupo Pirata.
Vídeos: Entrevista ao jonalista Daniel Fonsêca | Fala de um índio no ato
Textos: Panfleto do Ato | Movimentos organizam manifestação na Praça do Ferreira |
Mais informações:
Nota: (pt) Portal do Mar | Adufc | (es) Indymedia Argentina | CMI Chiapas | (en) Regenwald.org | MAP | CMY NYC | Indymedia DE | Ypioca perde uma para os Pitaguary (CE) | Criminalização dos Movimentos Ambientalistas | A Ypioca está detonando a Lagoa Encantada… | Ypióca perde certificação de Selo Orgânico e reprime jornalista alemão | Receita do Dia? Decepar a cana… | A história de luta de um brasileiro digno | Mapa do racismo ambiental no Brasil | 52º CONAD divulga moção de repúdio à Grupo Ypióca | Movimentos organizam manifestação na Praça do Ferreira
Fonte: CMI Brasil





















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“NOTA DE ESCLARECIMENTO:
Antonio Jeovah de Andrade Meireles, geólogo, professor universitário, venho, por meio desta, a bem da verdade, apresentar esclarecimentos referentes aos fatos articulados no processo n. 2007.01.12155-6, que corre perante a 8ª vara Criminal de Fortaleza, envolvendo minha pessoa bem assim a empresa Ypióca Agroindustrial Ltda., o que faço da forma seguinte: Em 2005, ao participar do “Primeiro Seminário contra o Racismo Ambiental”, ocorrido no Rio de Janeiro, fui convidado a desenvolver exposição sobre os conflitos socioambientais no litoral cearense em razão de minha experiência de mais de 15 anos como pesquisador dos ecossistemas e da geodinâmica do litoral e as relações desenvolvidas pelas comunidades tradicionais. Na ocasião, foi trazido à baila a situação dos índios Jenipapo-Kanindé no município de Aquiraz/CE, que há anos reclamavam uma postura mais atuante do poder público contra uma alegada degradação da Lagoa da Encantada. Foram então apresentadas informações e relatos dos próprios índios que demonstravam a necessidade de maior atenção do Poder Público com a lagoa em apreço. Esclareço, a bem da verdade, que, naquele momento, não fiz, qualquer afirmação, atribuindo à empresa Ypióca Agroindustrial Ltda. a prática de crime ambiental de qualquer natureza. A partir do referido seminário, teve início uma série de notícias jornalísticas indicando, inadequadamente, como de minha autoria denúncias de que a Ypióca estaria lançando vinhoto e outras substâncias poluentes na Lagoa da Encantada, uma vez que as informações veiculadas diziam respeito a dados obtidos de outras fontes. É preciso esclarecer que nunca tive, naquele episódio ou em qualquer outro, a intenção de macular a imagem da empresa ou de prejudicar suas atividades comerciais com a propagação de informações, cujos fatos ainda não foram devidamente esclarecidos. Reconheço que as mencionadas matérias jornalísticas tomaram uma dimensão excessiva, podendo ter causado prejuízos à empresa. Esclareço, entretanto, que jamais me posicionei como responsável em face daquelas, até mesmo porque não compactuo com práticas difamatórias ou caluniosas, sempre tendo pautado minha atividade docente e de pesquisa na ética. Espero que, diante destes necessários esclarecimentos, a empresa acate-os, pondo fim às demandas criminal e cível existentes, querendo, de igual, dar a devida publicidade à presente. Pelo exposto, pugnando pela verdade, trago os devidos esclarecimentos, à comunidade em geral no intuito de evitar distorções e maiores prejuízos, comprometendo-me a evitar qualquer outro pronunciamento formal, via internet ou qualquer outro meio de comunicação, em dissonância com o posicionamento aqui assumido, referente aos fatos alusivos a ação criminal em tela.”