Nascer e viver numa cidade grande, mesmo tendo raízes nos sertões alencarinos, fez com que um jovem rapaz tivesse contato com idéias, tribos e sonhos… muitas vezes distintos, sem rumo, mas com princípios: de um mundo com justiça social.
Na última década muita coisa mudou. O mundo não é mais o mesmo. A conjuntura mudou e, com ela, os métodos de ação de outrora se tornaram obsoletos. O rumo, ou a falta dele, deu lugar à construção de bases sólidas localmente e – muitas vezes – aqueles que jogamos pedras hoje nos financiam…
O jovem rapaz, já viajante, precisou rever estratégias, métodos e ações, com o cuidado extremo de não perder o que tinha me mais precioso: lutar por um mundo mais justo.
O tempo passou, a faculdade também e aquele viajante – como tantos/as outros/as – precisou assumir responsabilidades com o mesmo vigor que lutava com suas idéias e ideais… A cabeça, já cheia de sonhos e ações, sobrecarregou e desta vez teve que se afastar de quase tudo e todos/as para rever o que realmente era importante, antes que pifasse de vez… e quase pifou.
Nesta caminhada de quase 10 anos, o viajante teve a companhia de uma pessoa que o fez muito feliz. Felicidade não é fazer o outro faz, falar o que o outro fala, mas viver momentos únicos e inesquecíveis como um pôr-do-sol que jamais será igual ao outro.
Amor não se fala, se vive. Amor não se prova, se sente. Um somaterapeuta disse, certa vez, que “amor é tanto, não quanto. Amar é enquanto, portanto. Ponto”.
Ultimamente o viajante passou a ter fé e refletiu sobre um dilema: antes, era um desiludido e não tinha fé. Hoje, tem fé e pode ser um iludido. Revendo a história, viu que muitos dos que admirava tinham fé: Antônio Conselheiro, Beato Zé Lourenço, Zumbi, Gandhi e tantos outros… A fé fortalece, conforta e agrega as pessoas. O viajante hoje tem fé e respeita a diversidade de crenças, embora tenha a sua preferida.
Nesta quase década, certamente não foi fácil unir a vida com a do viajante, que muitas vezes esteve perdido, sem rumo; noutras com caminhos distintos do que pregava… mas os princípios sempre foram os mesmos e ele acredita que é o há de mais belo num ser humano.
O viajante acredita ser um comunicador e historiador popular e jamais jogaria fora documentos, fotos e manuscritos, muito menos os que tocam o coração. Tudo o que foi aparentemente destruído encontra-se bem guardado digitalmente em seu fiel escudeiro, o Jesuíno, mas precisavam ser devolvidos conforme foi solicitado pelo trem.
Hoje, o viajante não é – ainda – aquele que desbravava muitas terras a fim de realizar vários sonhos, mas deixou de ocupar uma única estação que fez de residência temporária. Voltar para a estação de origem é uma forma de retornar às raízes e nunca tirar os pés do chão.
O assento ao lado do viajante hoje está vago, mas ele está com a mão direita em cima guardando o lugar para aquela que o acompanhou nos bons e maus momentos de um jovem rapaz que quer viver em busca de um mundo melhor para todos/as, ao invés de simplesmente contar os zeros de uma conta bancária.


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