fev - 14 - 2006

Ressaca reflexiva

Sintomas de uma ressaca arrasava aquela carcaça que ainda insistia pôr-se de pé. O corpo estava debilitado, fraco. O estômago embrulhado por vários dias, assim como as faculdades intestinais encontravam-se desreguladas.

A cabeça não conseguia se concentrar noutra coisa: a ressaca doía incessantemente o plano físico e o psicológico estava em ruínas: inquieto, incomodado, angustiado: numa imensa agonia.

Não sabia muito bem como avaliaria a situação. Embora a ressaca já durava três dias, faltavam ainda quatro para que o quadro de mal-estar tivesse um rumo a seguir. Outrora quatro dias se passavam rapidamente, agora cada milisegundo era uma eternidade a ser vencida – com direito a um nó na garganta que o sufocava diuturnamente.

O hospital não curaria tais sintomas, nem álcool tinha ingerido. Apóstolos da fé, cristãos ou não, seriam inúteis em tal complexidade ímpar. Sem remédios, sem fórmulas mágicas – restaria aguardar a troca dos números do calendário, já que, no fundo, os dias serviriam para reflexão: e haja reflexão…

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