Noite tranqüila numa pequena cidade do litoral cearense. O país acabara de ser eliminado da copa. Os bares e as ruas com pouco movimento. Na praia, as ondas calmas e a lua a crescer, levemente; cenário pintado à nostalgia.
A sorveteria, única no lugar, tornava-se um dos raros points em que havia entra e sai de pessoas. Pedi o sorvete de sempre, duas bolas – sem cobertura. Na saída, dei de cara com uma mulher singular. Não tinha traços nativos, tampouco tupiniquins. Era branca, cabelos pretos e encaracolados, com traços europeus: uma grega. Usava um shortinho jeans com uma blusinha preta de alça e longos brincos de argola.
O olhar, fixo e penetrante, cruzou o meu e dirigiu-se ao balcão. Duas bolas de frutas xerófilas com muita cobertura. Pegou o sorvete, olhou-me discretamente e saiu. Lá fora, vi que andava pela calçada com um torcedor da seleção. Falou alguma coisa que o fez ir embora e sentou num banquinho a beira-mar.
Sentei na outra extremidade do banco e terminei de tomar o sorvete. Perguntei se ela já tinha tomado sorvete de sirigüela ou pitomba, sorriu, curiosa em saber da proeza desta fabricação peculiar. A praia convidou-nos para um passeio e as jangadas testemunharam o caminhar.
Philipe Ribeiro
04/07/06 07:53


















